domingo, fevereiro 1
Home>>Brasil>>Alicerce, startup educaucional em que Huck investe, pede dízimos dos funcionários para sair da crise.
BrasilEconomiaMundoNegócios

Alicerce, startup educaucional em que Huck investe, pede dízimos dos funcionários para sair da crise.

Após anunciar a dispensa de 150 funcionários, presidente do Alicerce Educação pede que professores doem 10% do que recebem.

O GRUPO ALICERCE EDUCAÇÃO, startup de aulas de reforço escolar, tem um modelo de negócio peculiar. Durante a pandemia, está pedindo doações de 10% do salário dos funcionários para o instituto do grupo, que dá bolsas de estudos a estudantes. O retorno será “espiritual”, disse em outubro o CEO, Paulo Batista, em uma reunião virtual por Zoom com os funcionários a que tivemos acesso. O empreendedor afirma ainda que o dízimo “não é para o Alicerce, é para as crianças”. Amém!

O apresentador da TV Globo Luciano Huck é garoto-propaganda e um dos principais investidores da startup.

Apesar do apoio do global, a escola passa por problemas de caixa. Falamos dela pela primeira vez aqui no Intercept em abril, no começo da pandemia. Na época, eles também diziam estar com dificuldades e afastaram cerca de 400 profissionais pelo WhatsApp sem qualquer apoio financeiro. Após a reportagem, Huck foi às redes no mesmo dia para anunciar que “o erro” já teria sido “corrigido” e que ninguém ficaria “desassistido”. Parte dos professores foi recontratada, mas, de lá para cá, a situação não parece ter melhorado muito para quem trabalha na empresa.

“Logo depois da matéria do Intercept, eles chamaram os professores e montaram um esquema de aulas online. Mas todos os funcionários, mesmo os diretores de polo, que antes eram celetistas, foram chamados para trabalhar como PJ [pessoa jurídica]. E as pessoas que trabalhavam na limpeza das unidades continuaram sem amparo”, me explicou um professor do Alicerce que, assim como os outros funcionários da empresa que ouvi, prefere não se identificar por medo de retaliação.

Em reuniões recentes com professores da empresa, Batista afirma que eles esperavam ter 4 mil alunos em 2020, mas alcançaram apenas 2 mil até novembro. Por isso, dezenas de funcionários foram dispensados, e o CEO pediu que os restantes tirem do próprio bolso 10% do que recebem para dar ao instituto, também presidido por Batista.

“Que você busque dentro de você, faça uma reflexão, converse com os seus princípios, olhe para trás, olhe para o impacto que você acredita que o Alicerce teve na sua vida financeira e, se encontrar caminhos, se encontrar possibilidades, faça uma doação de 10%”, disse o CEO aos professores na reunião, para em seguida explicar o objetivo altruísta da doação: “Essa doação não é para o Alicerce, o dinheiro do Instituto [Alicerce] vai para as crianças e para os líderes que trabalham para essas crianças”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *