Se as estatísticas são como os biquinis, que mostram tudo menos o essencial, as estatísticas do mercado de trabalho são ainda mais propensas a mostrar o que não é essencial. As taxas de desemprego podem recuar não porque a atividade econômica está em alta, assim como podem avançar quando vagas estão voltando a serem abertas. Os dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – Contínua), referente ao trimestre setembro-novembro, publicados nesta quinta-feira (28), em conjunto com as informações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), para dezembro, de também divulgados nesta data, mostram uma situação que pode levar a conclusões equivocadas.
Quando se observa apenas a taxa direta de ocupação ou de desocupação, os números indicam uma tendência de recuperação. Quando, porém, se olham os dados relativos, filtrados pelos ajustes sazonais, a situação do mercado de trabalho continua difícil e com tendência a piorar. Em relatório a clientes, a grande consultoria MCM, tomando como parâmetro o mesmo período de setembro a novembro de 2019, anota que o “avanço da taxa de desocupação foi contido pela saída de pessoas da força de trabalho. No período, a taxa de participação feito o ajuste sazonal, ficou em 56,1%. Significa que apenas pouco mais da metade das pessoas em idade de trabalhar, estava na força de trabalho.



